Campus São Roque inaugura maior centro brasileiro de pesquisa em vinho e uva – IFSP
Cerimônia no Campus São Roque marca a concretização de um sonho da comunidade acadêmica e abre novo capítulo para a produção de uvas e vinhos em São Paulo
O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) escreveu, na última sexta-feira, 20 de março, uma página importante para a história da viticultura e enologia brasileira. O Campus São Roque sediou o lançamento da pedra fundamental do Centro de Pesquisa e Inovação em Viticultura e Enologia Sustentável, o Cepives, que será o maior centro de pesquisas do Brasil na área. A cerimônia reuniu gestores, professores, estudantes e representantes do setor produtivo em torno de um projeto que promete transformar tanto a formação acadêmica quanto o dia a dia dos produtores de vinho da região e de todo o país.
Representando o diretor-geral, professor Frank Viana, a diretora adjunta de Ensino do Campus São Roque, professora Carol Jardim, traduziu o significado do momento com emoção. “Este é um momento de grande importância para nós, um sonho pelo qual lutamos e que hoje se concretiza”, afirmou. Ela destacou que o centro, além de ser o maior do Brasil na área, terá impacto direto sobre a comunidade e as vinícolas por meio de ações de extensão.
A cerimônia também contou com a presença do pró-reitor de Pesquisa e Pós-graduação, Adalton Ozaki, e do chefe de gabinete do IFSP, Ricardo Agostinho, que vieram a São Roque para marcar pessoalmente a relevância institucional do evento.
Da sala de aula ao campo: uma vinícola-escola
Para o coordenador do curso de Viticultura e Enologia, Carlos Araripe — ele próprio um ex-estudante da casa que se tornou professor e hoje coordena o curso —, o CEPIVES representa muito mais do que uma estrutura física. “O nosso curso é eminentemente prático: é plantar a uva e fazer vinho”, explicou. “Só que nós não temos uma grande escala em termos de produção, porque o nosso espaço é limitado.”
Com a nova estrutura, isso muda. Araripe descreveu o centro como uma “vinícola-escola” que permitirá ao campus atender toda a cadeia produtiva em outro patamar. “Os pequenos produtores da região vão fazer parcerias com a gente para fazer o vinho deles aqui, tendo um espaço mais tecnológico para desenvolver o produto”, contou. Segundo ele, o laboratório atual, embora funcional, é pequeno. “Essa vinícola vai nos permitir um aumento muito grande em termos de produtividade e de abrangência.”
O professor Fábio Laner Lenk reforçou essa visão e situou o Cepives dentro de um contexto ainda mais amplo. Para ele, o lançamento representa “mais uma plataforma de apoio aos pequenos, médios e grandes produtores”, conectada a projetos que o campus já desenvolve em torno das indicações geográficas — da uva e do vinho de Jundiaí, do vinho de São Roque e até da alcachofra. “Para nós, é um grande marco e uma oportunidade de ampliar as atuações do Instituto Federal dentro do campo de educação, pesquisa e extensão”, declarou.
Reconhecimento que chega na hora certa
Para os estudantes, a pedra fundamental tem um sabor especial. Evanilson Correia, aluno do curso, vê no Cepives não apenas uma melhoria estrutural, mas um reconhecimento de tudo que já foi construído. “Esse reconhecimento vem se sagrar como resultado de todo o trabalho ao qual os professores têm se dedicado e dos alunos que têm se formado, profissionais que têm sido reconhecidos por vinícolas muito boas, dentro e fora do Brasil”, disse. Para ele, o novo centro vai potencializar esse legado para as gerações que ainda estão por vir.
O colega Carlos Henriques compartilhou da mesma perspectiva e destacou o impacto prático da iniciativa na formação dos futuros enólogos. “Esse centro vai completar aquilo que a gente tem em aula da parte prática, trazendo não só o conhecimento teórico, mas o conhecimento do dia a dia numa vinícola”, avaliou. “Isso vai ser fundamental para a formação dos próximos enólogos, da nossa turma e das próximas turmas.”
São Roque, a Terra do Vinho
Do ponto de vista institucional, o chefe de gabinete Ricardo Agostinho ressaltou o alcance do projeto para além dos muros do campus. “Essa obra vai trazer benefícios não só para o ensino, pesquisa e extensão do Instituto Federal, mas para toda a região, consolidando São Roque como a ‘Terra do Vinho'”, afirmou. Agostinho também destacou que o Cepives levará novas tecnologias e apoio técnico a produtores de todo o estado e do Brasil. “É o Instituto Federal mais uma vez cumprindo a sua missão, apoiando os arranjos produtivos locais e trazendo desenvolvimento”, concluiu.
Com a pedra lançada, o Cepives entra agora em sua fase de construção. Quando concluído, o centro reunirá pesquisa de ponta, formação técnica qualificada e parceria direta com o setor produtivo, tudo isso no coração de uma das regiões vitivinícolas mais promissoras do estado de São Paulo.
